Diferente dos outros governadores que são pré-candidatos à presidência da República (Ratinho Jr, Eduardo Leite, Romeu Zema e Ronaldo Caiado), Tarcísio de Freitas é o único que tem a possibilidade de uma reeleição no seu estado.
A decisão de se lançar ou não na corrida eleitoral nacional é mais difícil para ele porque teria que renunciar a uma recondução bem encaminhada em São Paulo para se aventurar numa disputa totalmente incerta.
Por isso, sua condição para tentar o Planalto era receber garantias sólidas de apoio da família Bolsonaro.
Por sua vez, atores do centrão acreditavam que a prisão de Jair Bolsonaro acionaria um apito de racionalidade que influenciaria as decisões do clã. Seria preciso ceder apoio ao candidato mais competitivo – Tarcísio – colocando como prioridade a obtenção de um indulto em 2027.
Essa é a posição de Michelle Bolsonaro e do pastor Silas Malafaia, por exemplo.
No entanto, essa aposta fracassou. Ontem, o governador paulista disse com todas as letras que está fora:
“Sou pré-candidato à reeleição do governo do estado de São Paulo e irei trabalhar sempre por uma direita unida e forte para tirar a esquerda do poder. Qualquer informação diferente desta não passa de especulação. Irei visitar o presidente Bolsonaro, a quem sou e serei grato e leal, na próxima quinta-feira para prestar o meu total apoio e solidariedade.”
O ex-presidente escolheu o filho, senador Flávio Bolsonaro, que rapidamente se consolidou nas pesquisas em razão do recall do eleitorado fiel ao pai e tornou o cenário Tarcísio irreal aos olhos dos eleitores de direita.
Se apelarmos para os cálculos racionais, a escolha faz pouco sentido, considerando todo o contexto de rejeição e isolamento partidário inicial que esse caminho incorre.
No entanto, não é preciso ter boa memória para lembrar que agir por intuição sempre foi uma característica muito forte do ex-presidente. Há um componente de fé que é incessantemente lembrado pelo núcleo da família quando se referem à improvável vitória de 2018 e ao atentado à faca sofrido por Bolsonaro em Juiz de Fora.
A aposta de que Tarcísio seria incensado após Bolsonaro experimentar o cárcere fracassou e agora o centrão tem que rever seus planos. Ou aderem a Flávio, ou permanecem neutros, liberando alguns estados para seguir com o filho 01 e outros para apoiarem Lula, ou tentam uma terceira via.
Está na hora de o centrão acionar o plano B.