Quem disse que esquerda e direita não podem se entender? Com a aposentadoria compulsória do ministro Aroldo Cedraz, que completa 75 anos neste início de 2026, e a possível saída de Augusto Nardes, que tem mostrado interesse de disputar uma cadeira no Congresso, devem abrir-se duas vagas no Tribunal de Contas da União (TCU). O seu preenchimento pode resultar de um raro entendimento entre petistas e bolsonaristas.
A chave para esse acordo seria uma troca: se o nome de Odair Cunha (PT-MG) for aprovado para a primeira vaga, o PT se compromete a apoiar a candidatura que a oposição desejar para a segunda. O nome que vem sendo mencionado é o de Altineu Côrtes, do PL do Rio de Janeiro.
O obstáculo para esse acerto vem de dois partidos do Centrão, PSD e União Brasil, que preferem dividir as vagas entre eles. O primeiro lançou a candidatura de Hugo Leal (RJ) para o lugar de Cedraz. O segundo tem Danilo Forte (CE) e Elmar Nascimento (BA) como postulantes.
A missão do TCU é garantir que o dinheiro público seja usado de forma correta e eficiente. Para isso, ele fiscaliza o manejo de recursos pela União e de suas entidades. Os ministros são responsáveis por julgar as contas dos administradores, aplicar multas e determinar o ressarcimento de valores. A corte também submete ao Congresso pareceres técnicos sobre as contas anuais do Presidente da República.
Executivo e Legislativo dão importância estratégica à obtenção de influência sobre o TCU. Uma auditoria do Tribunal pode paralisar grandes obras, questionar concessões, revisar contratos bilionários ou apontar irregularidades que podem inviabilizar a atuação de gestores públicos.
Para o Executivo, ter ministros alinhados ou com uma atitude mais “compreensiva” pode ser determinante para evitar desgastes políticos. Para integrantes do Legislativo, apadrinhar nomeações permite um certo controle sobre a fiscalização de áreas de seu interesse, protegendo aliados e, ocasionalmente, exercendo pressão sobre adversários.