Na madrugada deste sábado (3), os Estados Unidos puseram um fim ao governo do ditador Nicolás Maduro na Venezuela. O presidente dos Estados Unidos Donald Trump anunciou a prisão de Maduro por militares americanos em um post em sua rede social, a Truth Social: “Os Estados Unidos da América realizaram um ataque de larga escala e bem sucedido à Venezuela e seu líder, o Presidente Nicolás Maduro, que foi capturado de transportado num voo para fora do país juntamente com sua esposa.”
Pouco mais tarde, em uma rápida entrevista por telefone ao jornal The New York Times, Trump confirmou a captura e celebrou: “Foi resultado de muito planejamento e de muitas tropas muito, muito boas, ótimas tropas e ótimas pessoas… Foi uma operação brilhante, realmente.”
Antes dos acontecimentos deste sábado, os Estados Unidos haviam deslocado cerca de 15 mil tropas (uma “armada massiva”, nas palavras de Trump), para as águas do Caribe próximas à Venezuela. O presidente americano assinou uma ordem que autoriza o Pentágono a usar força contra cartéis de drogas latino-americanos qualificados como organizações terroristas por seu governo. Com base nessa diretiva, 35 ataques a barcos que supostamente transportavam drogas foram realizados nas últimas semanas, deixando ao menos 100 mortos.
Nicolás Maduro foi indiciado em março de 2020 por uma corte de Nova York pelos crimes de narcoterrorismo, conspiração para transportar drogas aos Estados Unidos e posse de armas de fogo e outros “instrumentos de destruição”. Segundo a procuradora-geral dos Estados Unidos Pam Bondi, a prisão de Maduro fará com que ele “enfrente a justiça americana em solo americano e cortes americanas”.
Embora o futuro do ex-ditador pareça traçado, a Venezuela e a região entram agora num período e incertezas. Veja os três principais pontos de atenção para os próximos dias:
As imagens que circulam até o momento mostram que o exército americano empregou esquadras de helicópteros e realizou bombardeios em Caracas, durante a operação de captura de Maduro. Não houve resistência significativa das forças armadas e, na manhã de sábado, a capital do país se mantinha em silêncio. A resposta dos militares, principal grupo de suporte à ditadura de Maduro, será um fator essencial na definição de como a política da Venezuela vai ser organizar daqui para frente. A questão é se algum tipo de resistência será tentado ou se os militares ligados ao antigo regime vão simplesmente tentar negociar algum tipo de anistia – ou mesmo algum espaço político – num governo instaurado sob a influência dos Estados Unidos.
Ao contrário do que fez diante da invasão da Ucrânia pela Rússia, o presidente Luis Inácio Lula da Silva se apressou em condenar com veemência o ataque americano. Disse que a operação “ultrapassa uma linha inaceitável”, foi uma “afronta gravíssima” à soberania da Venezuela e “mais um precendente extremamente perigoso para a comunidade internacional”. Ao mesmo tempo, repetiu os termos tradicionais da diplomacia brasileira, dizendo que o país “condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”. De fato, diálogo e cooperação com os Estados Unidos serão as únicas maneiras pelas quais o Brasil – suposto líder regional – poderá atuar de alguma forma na reconstrução da democracia venezuelana.
Em uma entrevista em abril de 2025, o secretário de defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, disse que os Estados Unidos sob o governo Trump trabalhariam para “retomar o seu quintal”. “É estratégico”, afirmou ele. “O governo de Barack Obama tirou os olhos da bola e deixou a China tomar toda América do Sul e Central, com sua influência econômica e cultural, fazendo acordos com governos locais de infraestrutura ruim, vigilância e endividamento. O Presidente Trump disse ‘não mais’, vamos recuperar o nosso quintal”. A ação deste sábado na Venezuela foi um passo drástico nessa direção. Devem ser interpretada também como um recado à China e um sinal de que a geopolítica das “zonas de influência”, vigente no século 20, está de volta.