O Grupo VOTO inaugurou o Ciclo Brasil de Ideias 2026 nesta quinta-feira, 26 de fevereiro, com uma discussão sobre a importância da diplomacia empresarial e política na agenda de desenvolvimento do Brasil. Para refletir sobre as formas de diálogo que aproximam os setores público e privado, reforçam a confiança e a segurança jurídica e melhoram o ambiente de negócio no país, subiram ao palco o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e o diretor institucional da XP, Rafael Furlanetti. A presidente do Grupo VOTO Karim Miskulin fez a mediação do debate, que reuniu cerca de 70 lideranças no auditório da XP Investimentos, em São Paulo.
“As pessoas às vezes opõem gestão e política, mas essa oposição não existe”, disse o governador gaúcho. “Quanto mais ousado você quiser ser na gestão, mais política vai precisar fazer e mais terá de cultivar o diálogo.” Leite tratou das articulações que teve de conduzir para promover um ajuste fiscal e uma reforma administrativa em seu Estado, e também para mobilizar apoios nas crises da pandemia e das inundações de 2024.
Falando do ponto de vista da iniciativa privada, Rafael Furlanetti lembrou uma frase célebre. “Quando o empresário não senta à mesa, ele vira comida”, disse. “O empresário brasileiro precisa sentar à mesa e dialogar de forma séria com o setor público, lembrando que do lado de lá há interesses que são de todos.”
A conversa também passou pelas eleições de 2026. Leite é um dos possíveis candidatos à presidência do PSD, que também conta com o governador do Paraná Ratinho Jr. e com o governador de Goiás Ronaldo Caiado. Segundo ele, a escolha entre esses nomes deve acontecer até o início de abril, mas todos estão unidos na decisão de trabalhar em nome de uma terceira via entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Ao tratar da conjuntura política, Furlanetti disse que há um grande fluxo de dólares direcionado ao Brasil atualmente. Mas a tendência deve se inverter, se não houver um compromisso crível das candidaturas com um forte ajuste fiscal a partir de 2027. “Quanto mais claro for esse compromisso, melhor a economia vai reagir”, afirmou.
O segundo painel do dia trouxe o diretor geral da Aneel Sandoval Feitosa e o deputado federal Eduardo Pazuello, presidente da Frente Parlamentar em Apoio ao Petróleo, Gás e Energia (FREPPEGEN). A mediação foi da analista política da XP Bianca Lima.
Feitosa e Pazuello falaram sobre a necessidade de reequipar as agências reguladoras, para que os setores de energia, óleo e gás possam continuar crescendo e desempenhando seu papel estratégico na economia brasileira.
Eles convergiram no diagnóstico de que as agências passam por um sucateamento e não vêm recebendo os recursos que o orçamento deveria destinar a elas. Feitosa disse que, apesar disso, o ambiente regulatório no Brasil está amadurecido: “Mesmo quando se fala em vencimento antecipado de um contrato por descumprimento de cláusulas, como acontece atualmente, o mercado sabe que qualquer decisão só será tomada ao fim de uma análise técnica rigorosa.”
O próximo evento do Ciclo Brasil de Ideias acontece em 17 de março, em Brasília. Ele vai abordar as agendas prioritárias do Congresso num ano legislativo que, por causa das eleições, tende a ter suas atividades concentradas no primeiro semestre.
