Após o desmonte da operação Lava-Jato, era difícil encontrar alguém que afirmasse que algo semelhante em termos de dimensão e de falta de controle pudesse ocorrer.
As condições que estavam presentes na Lava-Jato eram órgãos investigadores independentes (Judiciário, imprensa e CPIs), apoio massivo da opinião pública e ambiente de competição política. Com a ampliação das denúncias e o início da estagnação econômica, o processo de depuração se tornou uma crise de governabilidade.
No caso atual, as comissões de inquérito e a atuação do Judiciário ganharam independência na medida em que a imprensa trabalhou de forma independente. Há sensação no Congresso de que as CPIs ganharam vida própria e que a investigação, sob a relatoria de André Mendonça, será acelerada.
Existe, ainda, um elemento novo e simbolicamente importante. Deferente da Java-Jato, que ocorreu em uma instância inferior, o caso Master corre na instância máxima
Isso significa que, diferente da operação conduzida por Sérgio Moro, as possibilidades de apelação e, principalmente, de anulação das investigações são muito baixas.
Objetivamente, está claro que os incentivos para a delação premiada ocorrer agora são muito maiores, pois não há para quem recorrer.